quinta-feira, 25 de agosto de 2011

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA POUPARIA UMA BELO MONTE AO PAÍS

Além de pagar preços altíssimos pela energia consumida - em torno de US$ 130 por megawatt-hora (MWh) em consumidores industriais - o Brasil ainda perde o equivalente à energia que será gerada por Belo Monte por ano em desperdício de energia elétrica. Não sem razão o governo federal tem em fase final de aprovação o Plano Nacional de Eficiência Energética, que prevê redução de 10% no consumo, meta alinhada com o Plano Decenal e também com o Plano Nacional de Energia 2030. Isso é alentador, pois, finalmente, a eficiência energética passa a fazer parte da matriz energética.
O tema foi um dos cenários abordados em congresso promovido em São Paulo pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), na última semana, evento que superou todas as nossas expectativas e reuniu mais de 400 participantes. Tivemos reunida uma massa crítica de excelência, com participação de representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), da Secretaria de Estado de Energia, além de acadêmicos (USP, Unicamp, Unifei), professores do SENAI, gestores e consultores, além de empresários e executivos das empresas dos serviços de conservação de energia (Escos).
Encontros como este sinalizam o potencial extraordinário que se abre para o mercado de eficiência energética no País. As estimativas com redução no consumo de eletricidade e combustíveis variam entre 5% e 40%, conforme a tecnologia envolvida, o setor econômico e as condições específicas das empresas. Especificamente para energia elétrica, estima-se reduzir, com o trabalho das Escos, 8% em média nos projetos de EE, o que equivale dizer 29 milhões de megawatt-hora/ano (MWh).
Além do potencial de redução no consumo de energia, o setor acaba de receber mais um forte impulso com a chegada da Norma ISO 50001, voltada a sistemas de gestão de energia, que foi publicada no último dia 15, juntamente com a versão brasileira. A norma é uma ferramenta fundamental para a gestão energética no chão de fábrica, edificações, nos estabelecimentos comerciais e mesmo nas residências. É uma norma de processos de melhoria e a certificação é baseada nos resultados aferidos. Dado o seu alcance, a norma vai impactar 60% do mercado global de energia.
O que se lamenta, no entanto, são as poucas operações de financiamento realizadas no Proesco, programa do BNDES criado em 2008 para fomentar projetos de Eficiência Energética. O montante até agora envolvido nesse tipo de operação não passa de R$ 33,5 milhões. Nas operações realizadas pelas Escos – empresas prestadoras de serviços de conservação de energia – os valores são ainda mais tímidos: R$1,8 milhão, em quatro projetos aprovados nos últimos dois anos.
Outro ponto a lamentar é o uso do Programa de Eficiência Energética das Concessionárias (PEE) como ferramenta política, com forte viés no atendimento de programas sociais para populações de baixa renda, distorcendo o objetivo original do PEE, que era o de atuar como agente catalisador de projetos de eficiência energética com atendimento a todo o mercado.
Tais desafios terão de ser vencidos, certamente, à custa do diálogo e de congressos como o realizado pela Abesco, onde foram ouvidas argumentações de todos os agentes envolvidos – Escos, Governo, agentes financeiros e consultores jurídicos, que acabarão levando a um modelo ideal nos contratos de performance. Mas, independentemente desse aspecto, já avançamos muito no que se refere a tecnologia e serviços em eficiência energética, o que ficou demonstrado em dezenas de cases apresentados no evento, em projetos que atingiram até 35% em reduções.
Tais resultados nos deixam otimistas e confiantes no trabalho realizado pelas Escos. Ao apresentar soluções, elas criam oportunidades de negócio para toda a cadeia, elevam níveis de competitividade da indústria nacional e ainda contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa e, consequentemente, para uma economia verde e sustentável no Planeta.
(*) José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações Ltda. e presidente da Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia).

EFEITO DAS HARMÔNICAS NOS TRANSFORMADORES

Efeitos de harmônicas em componentes do sistema elétrico
           O grau com que harmônicas podem ser toleradas em um sistema de alimentação depende da susceptibilidade da carga (ou da fonte de potência). Os equipamentos menos sensíveis, geralmente, são os de aquecimento (carga resistiva), para os quais a forma de onda não é relevante. Os mais sensíveis são aqueles que, em seu projeto, assumem a existência de uma alimentação senoidal como, por exemplo, equipamentos de comunicação e processamento de dados. No entanto, mesmo para as cargas de baixa susceptibilidade, a presença de harmônicas (de tensão ou de corrente) podem ser prejudiciais, produzindo maiores esforços nos componentes e isolantes.

1.1 Transformadores
     Também neste caso tem-se um aumento nas perdas. Harmônicas na tensão aumentam as perdas ferro, enquanto harmônicas na corrente elevam as perdas cobre. A elevação das perdas cobre deve-se principalmente ao efeito pelicular, que implica numa redução da área efetivamente condutora à medida que se eleva a frequência da corrente.
     Normalmente as componentes harmônicas possuem amplitude reduzida, o que colabora para não tornar esses aumentos de perdas excessivos. No entanto, podem surgir situações específicas (ressonâncias, por exemplo) em que surjam componentes de alta freqüência e amplitude elevada.
     Além disso o efeito das reatâncias de dispersão fica ampliado, uma vez que seu valor aumenta com a frequência.
     Associada à dispersão existe ainda outro fator de perdas que se refere às correntes induzidas pelo fluxo disperso. Esta corrente manifesta-se nos enrolamentos, no núcleo, e nas peças metálicas adjacentes aos enrolamentos. Estas perdas crescem proporcionalmente ao quadrado da freqüência e da corrente.
     Tem-se ainda uma maior influência das capacitâncias parasitas (entre espiras e entre enrolamento) que podem realizar acoplamentos não desejados e, eventualmente, produzir ressonâncias no próprio dispositivo.
Fonte: WGR

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Pela primeira vez, uso de energia renovável supera nuclear

Pela primeira vez na história, o consumo de energia renovável nos Estados Unidos foi maior que o de energia nuclear. Há uma tendência de que no longo prazo, o uso de energias renováveis ficará ainda maior ​​graças ao aumento do consumo de biocombustíveis e crescimento de capacidade de produção de energia eólica.
A energia renovável não consiste apenas em energia solar, eólica, fontes de água e energia geotérmica, mas também inclui os biocombustíveis como o etanol, o biodisel e a biomassa, que inclui além da queima de bagaço de cana, resíduos de madeira.
Essa mudança no consumo de energia não significa que as energias renováveis ​​são agora a principal fonte de eletricidade nos Estados Unidos, afinal de contas, toda a energia gerada também é usada para aquecimento, transporte e produção de vapor industrial.
A influência climática também foi importante nos Estados Unidos, onde houve recorde na precipitação de neve neste ano, que com o derretimento, levou as usinas hidrelétricas a funcionarem com sua capacidade máxima e por mais tempo do que o habitual. Enquanto isso, várias instalações nucleares foram fechadas para manutenção regular e reabastecimento uma vez na primavera e uma vez no inverno, como é típico nessa época do ano.
Em pesquisa feita pela Energy Information Administration EUA (EIA) e calculando o consumo dessas energias em BTUs (Unidades Térmicas Britânicas), foi possível chegar a algumas conclusões comparativas. No mês de janeiro, por exemplo, o consumo de energias renováveis era de 724 trilhões de BTUs, enquanto o consumo nuclear estava em 761 trilhões de BTUs. Já em abril, esse consumo passou a girar em torno de 798 trilhões de BTUs de energias renováveis ​​contra 571 trilhões para a energia nuclear.
Se essas mudanças climáticas continuarem, a tendência é que o uso de energia renovável ultrapasse novamente a nuclear no ano que vem, trazendo benefícios para o meio ambiente em que vivemos.
Fonte: Greenvana

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

COGERAÇÃO DE ENERGIA

Designa-se por cogeração a produção simultânea de energia térmica e energia mecânica a partir de um único combustível, sendo esta última habitualmente convertida em energia eléctrica através de um alternador.
Os sistemas de cogeração mais utilizados são a turbina a gás, turbina a vapor, motor alternativo e célula de combustível, situando-se as principais diferenças entre eles nos rendimentos eléctricos e térmicos obtidos. No entanto, todos eles têm em comum um aproveitamento útil da energia primária (gás natural, recursos renováveis, fuel, etc.) superior a 80%, sendo, por isso, a cogeração considerada uma referência nas medidas de eficiência energética.
Os benefícios energéticos e ambientais da cogeração são de tal forma evidentes que a união europeia determinou como meta a atingir em 2010 os 18% de energia eléctrica produzida por esta via. Em Portugal, no ano 2000 este valor situava-se nos 12% pelo que, considerando uma taxa de crescimento do consumo da ordem dos 6% ao ano, verifica-se que há ainda um longo caminho a percorrer.foto cogeracao grafico Cogeracao de Energia
Existem instaladas centrais de cogeração com potências desde os 15 kW até várias dezenas de MW pelo que qualquer consumidor de energia eléctrica e térmica poderá instalar este tipo de sistema, desde pequenos agregados de edifícios habitacionais a indústrias de grande dimensão. Contudo, a sua implementação deverá ser sustentada por um estudo de viabilidade económica (após as condições técnicas estarem garantidas) onde as economias e proveitos gerados na factura energética deverão ser confrontados com o investimento a realizar, para cálculo do período de amortização.
Portal Energia

ENERGIA EÓLICA JÁ É MAIS BARATA QUE A TÉRMICA A GÁS

O custo da energia eólica no Brasil, uma das principais fontes renováveis do mundo, já é menor do que o da energia elétrica obtida em termelétricas a gás natural.
O governo classificou essa situação como o novo paradigma do setor elétrico brasileiro. Em alguns casos, a energia eólica também tem custo inferior ao das usinas movidas a biomassa de cana.
Esse foi o principal resultado dos dois leilões realizados pelo governo entre quarta e ontem, em São Paulo.
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) organizou leilões para garantir a oferta de energia às distribuidoras a partir de 2014. Foram contratados 1.929 MW em nova capacidade, que terá de ser montada em três anos.
Hoje, dos 110 mil MW de potência instalada no Brasil, 5.700 MW são provenientes de energia eólica.
Os preços dessa energia surpreenderam. Os valores por MWh (megawatts/hora) oscilaram entre R$ 99,54 e R$ 99,57 (a térmica a gás, em geral, está acima de R$ 120). Em leilões anteriores, o preço da eólica estava acima de R$ 130 o MWh.
Há pouco mais de dois anos, o valor passava de R$ 200 por megawatt-hora.
Aerogeradores
A situação do setor começou a virar neste ano. Só com a contratação de ontem, o Brasil viabilizou a montagem de mil aerogeradores.
Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), existem hoje quatro empresas produzindo aerogeradores no Brasil.
"Nos certificamos se essa demanda contratada nos dois leilões poderia ser atendida pela indústria local. E a resposta é que há capacidade para atender", diz.
As quatro fábricas têm capacidade anual para montar 2,8 mil MW em aerogeradores, ou 1.400 unidades.
Além dessas fábricas, o governo informou que outras quatro empresas discutem com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a instalação de unidades industriais.
O consumidor será beneficiado com essa redução de preço, mas o efeito ainda será residual na conta de luz.
(Fonte: Folha Online)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Coordenador da Rio+20 diz que Brasil terá de assumir liderança

     O coordenador-executivo da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), Brice Lalonde, disse nesta quinta-feira no Rio que a liderança brasileira será fundamental para que o encontro, que acontece no ano que vem, produza resultados concretos.
     "Nós precisamos da liderança brasileira, porque as lideranças tradicionais desapareceram. Se a liderança não vier dos países emergentes, não haverá liderança suficiente", afirmou o francês Lalonde, que está no Brasil para encontros com autoridades governamentais e líderes da sociedade civil.
     Ele admitiu, porém, que questões internas como o aumento do desmatamento e a discussão em torno do novo Código Florestal podem pôr em xeque a liderança brasileira em questões ambientais. "Nós estamos obviamente preocupados, como todo mundo, mas temos que esperar para ver como essas situações vão se desenrolar", disse ele ao ser questionado sobre o assunto em entrevista à imprensa.
     Lalonde disse que o objetivo da Rio +20 não é produzir resultados imediatos, mas sim soluções de longo prazo para uma vida melhor no planeta. "Essa conferência pertence a uma família especial de conferências, que olham para o longo prazo, para o quadro geral. Será um grande check up para a humanidade e o planeta", afirmou.

FOCO EM ENERGIAS RENOVÁVEIS
     Em termos mais concretos, Lalonde disse que o foco da conferência devem ser as energias renováveis. "Um dos mais importantes resultados da Rio+20 deve ser a formação de uma grande coalizão global para abaixar os preços das energias renováveis e torná-las mais competitivas com as energias sujas, como o carvão", completou.
     O francês cobrou que os países sejam menos egoístas e pensem mais no planeta. "O problema do planeta é que ninguém fala em nome do planeta, só há Estados que defendem seus próprios interesses. Precisamos ser mais solidários e pensar no planeta."
     Ele afirmou que a sociedade civil também tem um grande papel na luta por um mundo mais sustentável. "As mudanças cabem muito mais às pessoas do que aos governos. As pessoas têm de pressionar os governos, afinal é o seu futuro que está em jogo. Nós não podemos deixar a juventude numa situação onde ela vai ter que pagar as nossas dívidas, não apenas financeiras, mas ecológicas", disse.
     Questionado se a atual situação econômica global poderia tornar difícil para os governantes pensar em objetivos de longo prazo, Lalonde recorreu a uma metáfora. "Quando o teto está pegando fogo, você tem que apagar o fogo no teto, mas também deveria aproveitar para consertar a infraestrutura da casa. Muitas pessoas acreditam que essa crise é parcialmente causada pela escassez de energia. Devemos aproveitar para resolver esse problema."
     Lalonde, 65, recorreu ao passado para se dizer, apesar de tudo, otimista com a conferência. "Quando eu era jovem, a palavra ecologia nem sequer existia. Hoje, uma série de instituições foram criadas e compromissos foram adotados. Nessa conferência vai ser tomada alguma decisão enorme, radical, para mudar o mundo? Provavelmente não. Mas será um novo passo adiante. Porque as mudanças reais acontecem no dia a dia. É preciso olhar para trás, para ver o que mudou nos últimos 20 anos", disse.
     A Rio+20 acontece entre 4 e 6 de junho do ano que vem. Seu nome faz referência à Eco-92, conferência que reuniu chefes de Estado no Rio em 1992 para discutir desenvolvimento sustentável.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Japão vai reativar primeiro reator nuclear desde vazamento em Fukushima

TÓQUIO - As autoridades do Japão anunciaram nesta quarta-feira que foi autorizada pela primeira vez a reativação de um reator desde o começo da crise nuclear no país iniciada pelos vazamentos em Fukushima. Os danos à usina foram causados pelos terremoto e a tsunami que atingiram o Japão em março desde ano, segundo informações da Dow Jones.
A agência de notícias local "Jiji" explica que o reator a ser reativado não fica em de Fukushima, mas central de Tomari, da Hokkaido Electric Power, construída na ilha de Hokkaido (norte do Japão). O reator número 3 foi colocado em funcionamento hoje, após receber sinal verde das autoridades.
O governador de Hokkaido, Harumi Takahashi, um ex-funcionário do Ministério da Economia, Comércio e Indústria, foi quem autorizou o reinício das operações do reator. O equipamento havia sido desligado para manutenção em janeiro, com previsão de retomada em abril, o que foi interrompido pelos desastres naturais de março.
A partir da catástrofe, houve a necessidade de se cumprir novos procedimentos de segurança. Assim, o reator permaneceu em testes durante os últimos cinco meses.
Agência O Globo